A História de Drupati


Ela está sempre alegre e encorajando outras pessoas. Seu sorriso pronto e a entusiástica saudação ‘Namaste’ dissipa toda mágoa e dor que Drupati sofreu.


A primeira vez que a vi foi durante uma ronda na enfermaria do hospital regional no distrito de Surkhet Nepal. Drupati estava deitada na cama havia quatro meses sofrendo com uma terrível úlcera de pressão (escara).

Quando ela tinha 19 anos e era recém-casada, foi baleada nas costas por uma patrulha do exército que achou que ela era um membro do movimento rebelde maoísta.

A bala ficou alojada em sua medula espinhal e, embora o Exército tenha pago pela remoção da bala, ela ficou paralisada da cintura para baixo. A ferida não foi tratada adequadamente antes que ela recebese alta e quando chegou em casa ela piorou gradualmente.

Quatro anos depois, ela foi levada ao hospital regional, mas, devido aos recursos limitados e falta de pessoal treinado, Drupati não pode receber o tratamento que ela precisava. E assim ela foi ficando no hospital sem qualquer esperança.

Depois de levantar seu histórico, pude passar a Drupati alguns exercícios para as pernas e providenciar que ela fosse transferida para o Hospital e Centro de Reabilitação Green Pastures da INF, onde um cirurgião pode tratá-la. Depois de seis meses, a ferida estava completamente curada e Drupati voltou a Surkhet onde permaneceu na clínica da INF e fez sessões de fisioterapia e terapia ocupacional.

Ela agora é capaz de sentar-se, vestir-se, fazer transferência para uma cadeira de rodas e mover-se de forma independente. Inicialmente, sua sogra não permitiu que ela voltasse para a casa da família, uma vez que não queria mais uma pessoa dependente dela – no Nepal, espera-se que a a nora assuma a maioria das tarefas domésticas. A família relutantemente concordou que fosse viver no estábulo!

Nós transformamos o estábulo em um ambiente com banheiro (vaso e chuveiro) cozinha adaptados cadeira de rodas. Agora, sua sogra a reconhece como parte da família novamente, e Drupati e seu marido estão novamente vivendo juntos com a bênção da família, ao passo que anteriormente eles queriam convencê-lo a abandoná-la e tomar outra esposa.

Drupati e seu marido recentemente tiveram um filho. Ela

teve aulas de costura, e a INF forneceu a ela uma máquina de costura e bancada para possa sustentar-se.


Megan Baxter
Terapeuta Ocupacional
INF – Programa Surkhet

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A vida é bela e a vida missionária…

Antes de qualquer análise, devo dizer que não importa quantas mil vezes eu assista esse filme, em todas ele será igualmente doloroso, e em todas eu irei chorar copiosamente, incontrolavelmente, embaraçosamente… Não dá pra ser diferente… só o seria se a lenda a meu respeito de cumprisse e meu coração fosse de fato de pedra…

Mas vamos às reflexões…

O primeiro impulso romântico ao assistir esse filme é me admirar da determinação de Guido em ser feliz. Ele estava decido a viver feliz e fazer felizes aqueles a quem ele ama. Mesmo no lugar que eu considero mais impossível de isso acontecer, assim ele viveu.

É romântico acompanhar sua missão de eximir o sofrimento do outro e encher o seu meio de esperança e força para lutar. Sua criatividade e poder de articulação são impecáveis, assim como sua capacidade de perdão.

Esse amor e determinação são admiráveis até a morte.

Entretanto, o duro de viver a fantasia é ter que contar com a credulidade dos que se submetem à nossa fantasia. A estratégia de Guido só foi bem sucedida porque seu filho lhe era totalmente crente, e lhe obedecia cegamente, ou com muito pouco questionamento. Caso contrário o final não teria sido tão feliz para mãe e filho.

À medida que poupa outro do sofrimento e lhe traz esperança, Guido centraliza o poder de decisão, a responsabilidade e a dor. É uma carga muito grande para se carregar sozinho. Retarda o amadurecimento do filho.

A frustração é inevitável ao imaginr que todos tem o mesmo amor que ele mesmo, ao esperar apoio de onde não virá, pois apenas ele vive a fantasia, enquanto a vida real é mais cruel não só do que ele pinta, mas é ainda mais cruel do que ele julga conhecer.

Creio que a analogia com o campo missionário está clara, e retomando o “e agora?”, temos a fórmula para transformar o panorama de missões:

D+C+BA+P+FxA–S/T=mundoalcançado

determinação + criatividade + boa estratégia + perdão + fé na soberania divina

x amor – sofrimento / todos = mundo alcançado.

Simples assim… exatamente como no filme… hehehe…

P.S.: ainda existem sempre gaivotas e nazistas por aí…

E agora?

http://www.youtube.com/v/LF1tfywJ3RQ&hl=pt&fs=1

Ao assistir ao filme, além das tradicionais risadas ante a tragédia do outro, me peguei em conflito de reflexões acerca do limites entre liderança, prudência, planejamento, organização, ordem e decência e a soberania de Deus, dependência dele, preocupação com o futuro (não andeis ansiosos), autoconfiança e/ou confiança em meus próprios métodos, e por aí vai…

Posso acusar o líder peixe por não prever a segunda etapa da fuga? Posso rejeitar seu plano como falho por ir só até metade da liberdade? Tinha como ele saber o que aconteria na frente antes de chegar lá? Era obrigatório a ele conhecer todas as possibilidades e variabilidades de seu empreendimento? No final quem escapou “liso” não foi quem ficou de fora do plano? essas e mais uma dezena de perguntas me vêem à mente enquanto rio da cara de “e agora?” dos pobres peixes.

Se isso aqui fosse um MBA, a resposta para todas elas seria um sonoro sim!!! Você tem que calcular riscos, lucro, gastos, e prever resultados, pontos fortes, pontos fracos, concorrência, definir metas e propor avaliações e controle. Você tem que saer onde está pisando!! Mas isso não se aplica ao campo da fé.

Entretanto em nome da fé, muitas vezes a obra de Deus foi feita de forma relaxada, imprudente e equivocada. Em nome da fé, muitas vezes nos acomodamos com nossos aquários e a ração diária que nos chega. Em nome da fé, muitas vezes negamos a imensidão do mar que está bem ao nosso lado. Em nome da fé, perdemos de experimentar o sobrentatural de Deus acontecer bem diante de nossos olhos quando nossas forças humanas se esgotam.

Enfim, tudo o que me vem finalmente à mente é a “agri-doce” coexistência entre excelência no planejamento estratégico humano e imprevisível e constante soberania divina. Saber desfrutar de ambas é o meu desafio.

Carta ao Senhor Diretor do Curta Premiado

http://www.youtube.com/v/KAzhAXjUG28&hl=pt_BR&fs=1&

São Paulo, maio de 2009.

Caro Senhor Jorge,

Exatos vinte anos após a produção de seu filme, é triste notar que algumas coisas não mudaram, enquanto outras pioraram e muito pouco melhorou… Entretanto, existe algo que é eterno.. Já existia naquele tempo e muito antes dele… e o será para sempre.

Tenho que concordar com sua indignação, com sua ironia e acidez na descrição dos valores, relacionamentos e funcionamento do mundo. Porém não posso concordar com sua conclusão, apresentada inversamente na introdução, de que diante dos fatos é óbvio que Deus não existe.

Em todo seu argumento fica muito claro que no fim o que de fato não existe, é liberdade e oposição!

Não somos livres de injustiça, não somos livres de nossos iguais, não somos livres de nós mesmos. Estamos presos aos nossos desejos, subjugando outros desejos, e incapazes de nos opor em qualquer instância a ponto de mudar o que quer que seja.

Nada do que tanto nos indigna no filme pode ser atribuído à presença ou ausência divina. É tudo obra humana. Todas as desgraças tão empiricamente descritas em seu filme são humanas.

O que nos sobra de liberdade é exatamente o que nos trai ao nos fazer sucumbir às nossas vontades que são injustas e destrutivas. Neste sentido não há como acusar a Deus de ser cruel por nos deixar livres, ou simplesmente de não existir apenas porque assistimos diariamente aos efeitos da liberdade humana.

Se o senhor, simples criatura, se indigna tanto diante da crueldade humana, imagine o Criador do universo assistindo a destruição de sua obra? Não há como negar a imensidão do amor expresso pela liberdade oferecida ao homem de agir sobre a criação mesmo que a revelia do criador… A liberdade humana não prova a inexistência de Deus senão seu amor imensurável de suportar assistir a essa destruição para preservar a liberdade.

Não posso lhe afirmar a existência do Eterno, mas com certeza, os fatos não provam a inexistência de Deus. Provam apenas a ineficiência do homem como criatura suprema sobre toda criação.

Que um dia possamos de verdade ser livres e opositores.

Celinda.

Desafios da Missão Contemporânea – reflexões de aula

Os desafios da missão contemporânea passam, antes de tudo, por uma necessidade de definição de si mesma, para só então cumprir seu papel e alcançar as necessidades do mundo atual.

Somos diariamente bombardeados pelos veículos de comunicação (especialmente aqueles tediosos pps) por imagens mensagens e convites à gratidão, atenção com quem está perto, superação, esperança, otimismo, perspectiva, ativismo, falta de tempo e avaliação pessoal de como gastei meus dias, esforços, mente, corpo, vontade, tempo etc..
Em uma sociedade pautada pela produtividade e competitividade, falar de qualquer coisa que não seja excelência numérica e (ironicamente) individualidade, soa, no mínimo, como idealismo ingênuo, para não dizer manipulação alienante.

Mas ao mesmo tempo em que não tem se vivido a coletividade ou integralidade do relacionamento social, cultural e espiritual, deixados como ordem desde o princípio, nem na igreja nem fora dela, observa-se no mundo em geral um retorno para tal, um grito por estas questões.

Acredito que estamos em um momento muito interessante, onde o próprio mundo tem clamado específicamente pelo cumprimento da missio Dei. Estamos vivendo um período de grande despertamento espiritual, social e cultural. As pessoas tem buscado desesperadamente desenvolver estes aspectos, embora buscando em lugares equivocados, e a igreja tem se mantido silente.

Este é o século da ecologia, do desenvolvimento sustentável, da tecnologia, do ‘boom’ de religiões (especialmente as orientais), da terapia e dos livros de relacionamentos e auto-ajuda, das ONG’s e da ajuda humanitária. O mundo parece estar “cumprindo” da forma que pode a missio Dei, mesmo sem nem saber o que é isso.

O triste, é a igreja não reconhecer tudo isso como parte dela, mas afirmar que está separada disso por não serem celestes, por serem apenas “do mundo”… afff… onde vivemos afinal? na lua???
:-S

Coisas que aprendi no Peru 3

Vamos lá…

Outra coisa que aprendi logo na chegada, é que no Peru, greve geral é um movimento de classe, e não de categorias.. aqui nós fazemos movimentos isolados de categorias menores.. “greve geral” dos metalúrgicos, “greve geral” dos caminhoneiros, “greve geral” dos professores, “greve geral” dos profissionais de saúde.. etc.

Lá a greve geral é dos trabalhadores. “El paro” (a greve) é um movimento de toda classe trabalhadora, e não das categorias separadas. Então se há greve geral, é geral de verdade! Se você é trabalhador você deve parar. Não importa se você é empregado, empregador ou autônomo.

Se você não parar haverá retaliações, muitas vezes bárbaras, como apedrejamento dos ônibus na estrada (como o que sofremos na viagem de Lima para Ayacucho), ou destruição do seu estabelecimento comercial (tínhamos que entrar escondidos nas lojas e muitas vezes ficamos trancados dentro delas esperando o movimento passar para sair) e por aí vai… Todos devem parar.

Inicialmente, pode parecer curioso imaginar, por exemplo, o dono de uma papelaria pequena fechando suas portas e saindo às ruas para protestar e reivindicar. Só não imagino contra qual patrão ele estaria gritando: “exigo de mim mesmo ajuste salarial imediato ou não volto a trabalhar!!”.. hehehe… 😛

Mas se pararmos para pensar um pouquinho, o exótico se torna quase óbvio (olha ele aí de novo mudando de cara.. hehehe). Se pensarmos a indústria, o mercado e a força trabalhadora como a rede totalmente entrelaçada que realmente é, não se torna tão absurdo assumir que o movimento trabalhista venha direta ou indiretamente beneficiar a todos em diferentes níveis.

Melhores salários implicam em maior consumo, que implica em menor carga para o estado, que implica em maior entrada aos empregadores e autônomos, e por aí vai o ciclo sem fim.
Esse sentimento de grupo, de classe, de nação, de todo… sim… isso me impressionou muito!!! Não vemos muito disso por aqui… Para nós o óbvio é que o interesse individual está acima do grupo, mas pelo que vi lá, o bem do grupo está acima do indivíduo.

Ali a idéia de “Corpo” me pareceu mais real e factível, do que aqui, onde o mais próximo de corpo que chegamos parece ser a de peças parafusadas formando um ser impessoal que pode ser desconectado e substituído. Em nada se compara ao “Corpo” contínuo e inseparável, que só perde um membro em última necessidade, num procedimento invasivo, e a duras penas!

Viu? O óbvio tem tantas caras… tantas formas… adoooro descobrir o óbvio por trás das estranhezas, exotismos, pseudo-barbáries, enfim, culturas.

Coisas que aprendi no Peru 2

Outra coisa que aprendi no Peru é que o ‘pertinho’ de peruano é muuuuuuuuuuuito pior eu de mineiro!!! E horário para eles é algo totalmente irrelevante, desnecessário e na verdade inexistente. Afinal o que é o tempo senão uma mera convenção?
Para nós brasileiros, praticamente litorâneos, qualquer distância percorrida, mesmo que na horizontal, a 3000m de altitude é infinitamente longe, pesado, rarefeito e já falei longe?.. hehehe..
Pois é… chegamos em Ayacucho, a 3000m de altitude, e a cidade estava em greve (aliás outro grande aprendizado que vou contar depois). Bom, não havia transporte da parada do ônibus para a casa onde ficaríamos…
Aliás, lugar lindo! O mais alto da cidade, com uma vista privilegiada de todo o vale… porém chegar lá a pé! afff… Enquanto andávamos a passos de lesma (não adianta tentar andar rápido, é como se suas pernas grudassem no chão! Como se tivesse imãs te puxando pra baixo, e a cada passo temos que descolar o pé do chão), mas sim, enquanto andávamos cambaleantes, sem nenhuma mala no ombro e com alguns de nós desmaiando, os peruanos da igreja que vieram nos receber, seguiam serelepes, sorridentes, ágeis e carregando toda a bagagem!!!
Me senti a própria “smurfete” (uns 50 kg mais gorda, mais velha e morena.. hehehe), perguntando a cada dois passos: falta muito? Ao que eles respondiam: é logo ali…
Argh!!!!!!!!! Nunca acreditem no “logo ali” de um peruano!!! Hehehe… 🙂

Outra coisa, esqueça esse negócio de horário… totalmente irrelevante. Se você marcar às 8 h eles vão chegar às 10 h, se marcar às 10h vão chegar às 12h. Então desista. Simplesmente se encontrem e aproveitem o momento.


O bom disso é que eles nunca têm pressa de se livrar de você, não ficam olhando no relógio enquanto você fala, e sempre esperam que o grupo aumente com a chegada de mais um. As pessoas são importantes e estar com elas é o que vale!

Gostei muito disso!! 🙂